sexta-feira, 16 de julho de 2010

rewind aaaaand... play: Göteborg

Aqui estamos nós outra vez, para nos inclinarmos sobre as aventuras aqui pela Escandinávia. Para clarificar, "Escandinávia é uma região geográfica e histórica do norte da Europa e que abrange, no sentido mais estrito, a Suécia e a Noruega" - disse-me a wikipedia.

Pegando no assunto onde o tinha deixado. O comboio começa a dar sinal de que vai parar e eu lá acordo para ver que cheguei onde queria, estação central de cá do sítio. Ao que parece, por estas bandas, é comum ver-se este nome na estação que realmente é o centro do sistema de transportes. É o nome da estação de comboios e de lá ou muito próximo temos a ligação com a maioria das linhas que servem a zona. Quando pus os pés em terra firme tive uma pequena sensação de 'déjà vu'. O espaço onde os terminais das linhas estão pode-se dizer parecido com o de S. Bento, mas basta levantar a cabeça e ver o espaço aberto, sem os casebres em pano de fundo, e o edifício da estação para vermos que realmente estamos noutra realidade.

Isto é mesmo estranhamente familiar. Apesar de nada ser igual, nada é realmente assim tão diferente. Tirando os grandes projectos de arquitectura, os edifícios são normais, no estilo mais antigo de prédios grandes, as ruas são alcatroadas e alguns cruzamentos regulados por semáforos, há passeios (este pormenor pode parecer diferente de certas e determinadas zonas de Portugal), as pessoas têm duas pernas e dois braços, por norma, etc... estão a ver o filme. No final, as maiores diferenças estão no tamanho e nos detalhes.

Aqui quase tudo é grande. Ou talvez eu esteja habituado ao "pequeno" da cidade do Porto, o único pormenor negativo que eu tenho da invicta. A cidade de Gotemburgo em si não é extensa, mas apesar de ter zonas de moradias e muitas zonas verdes o tamanho de muitos dos prédios compensa na acomodação do povo.


Aqui podem dar uma vista de olhos no que é a cidade em termos globais. Não é querer apelar ao facto da maioria dos tugas serem um bocado broncos, mas isto tem mesmo um ar civilizado... As ruas são largas e o maior congestionamento a que assisti foram meia dúzia de carros parados num semáforo. Os passeios vêm a condizer com as ruas, largos, quase sempre com parte reservada a bicicletas por sinalização horizontal, quando não há vias para o efeito mais demarcadas ainda. É muito comum por aqui andar de bicicleta, tanto que, para além das vias por todo lado, muitos dos semáforos têm luzes reservadas a bicicletas, assim como botões para mudar o sinal, como nós temos para peões, posicionados estrategicamente para a altura de um ciclista. Distinguem-se facilmente dos botões para os peões, que também têm, pelo boneco típico da bicicleta. Outra coisa interessante, estes botões parecem funcionar na sua maioria, com excepção das zonas mais movimentadas do centro, que me dá a sensação de ser mais à base de intervalos regulares.

Os prédios... também têm dimensões grandes, chegam a ocupar um quarteirão inteiro, às vezes. Principalmente no centro, a maioria tem aspecto centenário, que é bastante bonito. A diferença entre os Suecos e os Portugueses é que eles têm estes edifícios em condições e com condições. O tamanho, para além de estar na moda na altura da construção, deve ter o objectivo prático de manter as pessoas dentro de portas o mais possível, durante o inverno. Alguns edifícios públicos são mesmo muito grandes, umas poucas de vezes o edifício da Universidade na Praça dos Leões. Menos edifícios, menos portas de entrada para dissipar calor; mais gente, mais calor humano; maior concentração de serviços, menor entrada e saída de pessoal. Parece plausível... ainda para mais porque, sendo cada andar relativamente alto, tem temperatura minimamente auto-regulada no Verão, para não falar no facto de que está quase tudo de férias durante esse tempo.

Enquanto andei meio perdido a caminho do meu quartinho ainda tive tempo de ver canais ladeados por algumas árvores ou relva, algumas pequenas bouças com árvores enormes, o Ullevi, a grande arena desportiva da cidade, também palco de diversos espectáculos de grandes artistas para o povo daqui, nacionais ou não, e até um espaço para skates e afins cuja localização exacta me falha (mas sei que era relativamente perto do Ullevi; de qualquer maneira, deve haver outros).

Isto parece mesmo funcionar na perfeição, só tenho pena de não perceber bolha de Sueco para explorar isto melhor... Não sei que mais vos conte da cidade, zonas ou sítios importante terão direito a mais pormenores e umas fotos, quando arranjar máquina, em princípio. Se houver alguma coisa que queiram saber das generalidades da cidade, estejam à vontade para o fazer.

Roam-se de inveja; boa noite e até à próxima, que planeio ser num intervalo de tempo mais curto.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Fast Forward: a omelete

Era suposto eu falar sobre a cidade neste texto, pelo menos era essa a minha ideia inicial. Isto é só para contar um pequeno feito meu de hoje (hoje mesmo).

Seriam as oito da noite aqui por Göteborg, o dia ainda tem duas horas antes de se ir sentar no sofá a ver televisão. Estou a ficar com fominha e vou aproveitar para dar cabo de umas coisas que já estão abertas. Vou fazer uma omelete! Tenho 4 ovos e fiambre. Também vou abrir uma lata de cogumelos e um cubo enorme de Gouda, queijo que segundo a wikipedia é dos Países Baixos e recebe o nome da cidade de Gouda. Adiante... ovos, fiambre, queijo, cogumelos... ah, e umas folhas de alface.

Cortei o fiambre em pequenos bocados e fiz o mesmo com uma quantidade idêntica de cogumelos. Dei uma facada no Gouda e fui buscar um utensílio cujo uso é novo para mim, um fatiador de queijo. Pelos vistos não é só novo para mim, o corrector ortográfico que está a inspeccionar este texto não sabia o que era um 'fatiador'. É um instrumento engraçado, enquanto o pedaço que estamos a fatiar é grande... quando começamos a fatiar os dedos já não é tão útil... uma solução muito muito simples é enfardar o bocado que falta. Com o fiambre, cogumelos e queijo cortados aos bocados, toca a pôr os ovos na frigideira. Deixar aquilo ganhar forma e juntar o fiambre e os cogumelos, para ficarem entranhados no ovo. De seguida é por o queijo e fechar o projecto de omelete. Acho que exagerei um bocado nos extras em relação aos ovos, ficou difícil de cobrir... O resto é o normal, julgo eu.

Foram os melhores ovos mexidos que comi até hoje

sábado, 26 de junho de 2010

... largar

Esta foi sem dúvida a viagem mais longa que eu já fiz. Cálculo que mantenha este título por muito tempo, não tenciono fazer mais passeios assim...


PORTO
O dia começou bem cedo, para mim, por volta das 6 e tal da manhã já estava a pé. Tenho de estar no aeroporto do Porto a horas do voo FR4703 em direcção a Bergamo, Itália. Como não podia deixar de ser, ainda há tempo para um cafézinho e uns minutos a contar aviões no meio do nevoeiro, com o pequenito.

Nada de novo a contar sobre o nosso aeroporto, um dos melhores da sua categoria. Tudo corre bem. Bem, quase tudo, a fila na porta de embarque para o meu avião é enorme e dentro do avião não consegui lugar para a mala nos compartimentos junto ao tecto. Tentei pôr a mala o mais possível para baixo do banco do gajo da frente, praticamente ao pontapé. Ainda bem que não tenho nada de partir :-) agora, toca a dormir, que viagens de avião só tem piada a levantar e a pousar.

BERGAMO
Muito bonito... e muito irónico. É tudo menos novo, o aeroporto. Com aqueles buracos todos, bem que podia ser Português. Antes de passar a segurança não tem praticamente nada para ver, a não ser umas moçoilas jeitosas. Muitas morenas passam por aquele aeroporto...

Passando a segurança já se tem mais espaço e umas poucas de lojas, mas não deixa de ser pequeno, por comparação com o do Porto. Alapei o cu em frente à minha porta de embarque, a pensar em descansar uma horita antes daquilo abrir. Pouco depois aquilo abre e eu dei graças por ter parado ali mesmo sem ter em conta o fuso horário... é mais tarde uma hora do que o que eu pensava.

Pelo que reparei, vão principalmente suecos e italianos no avião (normal) e enquanto esperava junto à porta de embarque, senti-me vítima de publicidade enganosa: as suecas que estão por ali não são nada de especial, nem uma, e algumas têm bastante cabedal (para ser simpático). A ver se o cenário muda no dia seguinte, ou mais de metade das pessoas que disse que me ia visitar, já não o vai fazer.

No avião já consegui entrar mais cedo que no Porto e a mala já vai melhor acondicionada. A viagem teve um pormenor bastante interessante. Começou por volta das 21h e o Sol já se estava a pôr. Como o avião seguia para norte, fomos com o por do sol durante bastante tempo (quanto mais a norte, mais tarde se põe o Sol), engraçado... agora toca a dormir outra vez...

SKAVSTA
Já é quase meia noite, aqui. Só tenho bus daqui para fora daqui a 4 horas, vou ter de arranjar alguma coisa para fazer entretanto. Não era boa ideia adormecer, já que podia falhar os próximos transportes. Ver um filme é uma boa alternativa, "The invention of lying", filme porreiro. Enquanto via o filme, dividi o átrio com um grupo de metaleiros/as, que também estavam a ver filmes ou séries no computador. Traziam com eles instrumentos e um malão que me parecia ter material de som, se calhar cruzei-me com uma banda conceituada e nem dei por ela.

Fora do aeroporto andam uns pássaros engraçados, pretos e brancos. São tão comuns por cá como os pombos em Portugal. Quando vir uma imagem fixe, mostro. Entretanto é hora de ir para o autocarro, ainda não são 4 da manhã mas já está o dia bem claro. Quando o 515 aparece e abre a porta, parece que estou em Portugal outra vez. Apesar do autocarro em si parecer bem melhor, o motorista tem um ar de aldeão que dá vontade de rir. Não sei se o gajo está borracho ou a cair de sono, mas parece um aldeão. Outra coisa que me fez lembrar Portugal, o gajo não falava bolha de inglês (e eu não sei pronunciar sueco), mas tinha o meu itinerário em papel e mostrei-lhe. Com a treta de não nos entendermos o gajo mandou-me sentar e levou-me à pala. Gostei do motorista...

Nyköpings busstation
Fim de linha do 515, passados 15min, na cidade ou vila mais próxima do aeroporto, e início do 790, próximo transporte. Não há nada para ver nas imediações, mas o que vi durante a viagem foi bastante agradável, ambiente de subúrbio e construções bonitas. Mas esta é uma paragem muito curta, toca a entrar no primeiro 790 que aparecer. O bilhete custa 81 coroas e dentro do autocarro só se pode pagar com cartão. Aparentemente também podia ter comprado no aeroporto, mas o balcão fechou pouco depois de eu ter chegado e não sabia que se compravam bilhetes lá. Este troço é mais longo, 1h20min na maioria de estrada. As vistas são bonitas, mas durmi a maior parte do caminho.

Katrineholm Centralstation
É aqui que vou apanhar o comboio para o meu destino final. Faz lembrar uma pequena estação nossa, com uma pequena diferença de proporções. Tem uma casinha branca, com o relógio e o nome da estação/zona, e ao ar livre estão as linhas, com cobertos ao longo das beiras. As principais diferenças estão no tamanho da casinha, que é mais uma casona, e em vez de uma ou duas linhas (para as terras com sorte de ter necessidade para 2 sentidos em simultâneo), tem 5. Outra diferença muito grande é a travessia das linhas, todas subterrâneas (tem elevador e tudo).

Os comboios que passam têm uma aparência diferente dos nossos, mas o interior do que me levou, um dos que faz Estocolmo-Gotemburgo, devia de estar ao nível do alfa pendular, a nível de espaço e conforto, mas não andei a explorar o bicho. Apesar de ter dormido muitas vezes, nos últimos 2 dias devo ter dormido só 8 horas, por isso aproveitar as vistas, que era o planeado, está fora de questão... Acordo só para ver a estação central de Gotemburgo, que alívio para os meus olhos, finalmente aqui.

A viagem foi divertida, mas chegar finalmente ao destino, depois de tantos planos e adiamentos, foi muito melhor. Vamos a ver o que esta cidade, aparentemente apelidada de "Pequena Londres", tem para oferecer.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Preparar....

Viajar... agora é tão fácil... supostamente!

Portugal e Suécia não são propriamente os melhores amigos nem existem grandes comunidades migrantes. Isto quer dizer o quê? Sucintamente, não há voos directos entre o Porto e aeroportos Suecos. Curiosamente, o aeroporto de Faro tem muitas mais ligações aos países mais a norte, abençoado o turismo da região. Mas, por mais incrível que pareça, é mais barato (para mim, pelo menos, e pessoal do norte) ir apanhar um avião em direcção à Suécia a outro país, a várias centenas de Km da nossa terrinha, que ir a Faro. Está bem que é na ponta oposta do país, mas mesmo assim... não somos assim tão grandes.

Tendo em conta que ninguém me vai reembolsar os custos nas viagens entre Porto e Gotemburgo, há que olhar para viagens baratunchas. Esta tarefa teria sido muito mais fácil se eu soubesse com grande antecedência a data exacta da partida, mas isso é complicado. Independentemente da antecedência da reserva, as maneiras de se viajar a preços mais baixos (num determinado espaço de tempo) são sempre as mesmas.

Plano de viagem: ver voos disponíveis e ordenar por preço (site porreiro para procurar voos, para quem não conhece - www.skyscanner.pt); pesar as diferenças de preço contra o número e tempos de escalas; escolher e reservar. No caso das lowcost... levar mala de porão pode pesar no preço do bilhete. Como os 10Kg da bagagem de mão da maioria das companhias não é propriamente 'suficiente', aldraba-se. Eu cá enchi os bolsos de 2 casacos com coisas pequenas e pesadas, entre carregadores, mp3 e afins, assim como os próprios casacos, podem-se ganhar uns 3 ou 4 Kg. Se estiver calor para andar com os casacos... amarram-se à cintura, fácil. Com o dinheiro que não se gasta numa 2ª mala, juntam-se mais umas tralhas e manda-se por camião. Tendo em conta o tempo que vou ficar fora... só uma segunda mala não ia chegar e assim junta-se o útil, levar mais coisas a melhor preço, ao agradável, fazer os primeiros dias, viagens e travessias só som o peso de uma mala atrás de nós.

Resultado: viagens de avião entre Porto e Bergamo (perto de Milão) e entre Bergamo e Skavsta, a sul de Estocolmo. Uma vez em Skavsta, ir de bus até a uma estação de comboio com ligação a Gotemburgo e o resto parece simples. A viagem de comboio deve ser de umas poucas centenas de quilómetros, vai dar para ver as vistas e experimentar a ferrovia Sueca.

Os bilhetes de autocarro que vou precisar têm regimes esquisitos (quem quiser saber que vá ao site do aeroporto - http://www.skavsta.se/en/), mas dá para comprar no próprio bus, tem é de ser com cartão porque não aceitam dinheiro.

O de comboio também se pode comprar lá dentro, pelo que me pareceu, mas não era bem claro o preço... vou aproveitar que posso comprar bilhete no site (http://www.sj.se/) e imprimir. Para quem quiser viajar pela Suécia de comboio, a coisa pode ficar bem barata (por comparação com Portugal, por exemplo). Viagens reservadas antecipadamente e/ou em horários mais mortos (longe das horas de ponta) são mais baratos. Eu não comprei bilhete muito antes da viagem, mas fui no primeiro comboio do dia (daquele trajecto) e por cerca de 20€ fiz bem mais que Porto-Lisboa num comboio que me pareceu da qualidade do alfa-pendular (ir no comboio seguinte era quase 4x mais caro). Parece-me um bom sistema...

Tenho tudo programado para me pôr a andar, há que pegar na mala e zarpar...

domingo, 20 de junho de 2010

Aviso à navegação

Bom dia (da parte da tarde)!

Sejam bem vindos ao Blogue do Sheriff das Suécias. Apesar do atraso, será aqui o local de registo das minhas aventuras por terras de suas majestades Carlos XVI e Sílvia da Suécia.

Vou tentar acelerar o passo nestes primeiros dias, para aproximar os acontecimentos no Blogue à presente data, mas não prometo nada, e vou fazê-lo quando e enquanto me apetecer.

A primeira aventura, que seguirá no próximo texto, vai englobar a viagem desde o Porto até ao meu primeiro quartinho escandinavo.

Até à próxima,
Sheriff.